O anúncio do remake de Make It Right despertou um sentimento que vai muito além da expectativa por uma nova adaptação. Para quem acompanha os BLs desde os primeiros anos de popularização do gênero, o retorno da obra representa um reencontro com uma fase importante da própria história. Lançada em 2016, a série ajudou a …
Make It Right: por que o anúncio do remake me fez revisitar uma década de BLs

Make It Right: por que o anúncio do remake me fez revisitar uma década de BLs
O anúncio do remake de Make It Right despertou um sentimento que vai muito além da expectativa por uma nova adaptação. Para quem acompanha os BLs desde os primeiros anos de popularização do gênero, o retorno da obra representa um reencontro com uma fase importante da própria história. Lançada em 2016, a série ajudou a …

O anúncio do remake de Make It Right despertou um sentimento que vai muito além da expectativa por uma nova adaptação. Para quem acompanha os BLs desde os primeiros anos de popularização do gênero, o retorno da obra representa um reencontro com uma fase importante da própria história.
Lançada em 2016, a série ajudou a consolidar os Boys Love na Tailândia e marcou uma geração de fãs. No meu caso, foi uma das primeiras produções que assisti e uma das que me permitiram acompanhar de perto um momento decisivo para o crescimento do gênero. Por isso, ver essa história ganhar uma nova versão em 2026 não me faz pensar apenas no remake, mas em tudo o que mudou desde então.
🚨 Anunciado o remake de “Make It Right” em comemoração ao aniversário de 10 anos do BL!
— BoysLove Hub (@hubboyslove) January 29, 2026
Após descobrir que foi traído por sua namorada, Fuse decide ir beber todas. No entanto, tudo sai do controle quando ele acorda na cama de Tee, um amigo da escola. #MakeItRight2026Series pic.twitter.com/z7rZMT5kNk
Quando os BLs se tornaram um lugar de conforto
Antes mesmo de conhecer os BLs, eu já consumia filmes e séries com personagens LGBTQIA+. Muitas dessas histórias foram importantes para mim, mas havia algo que sempre me incomodava: a frequência com que terminavam em tragédias, sofrimento ou finais melancólicos.
Foi nesse contexto que Make It Right entrou na minha vida.
Mesmo abordando conflitos, inseguranças e os dramas típicos da adolescência, a série transmitia uma sensação de acolhimento. Havia amizade, romance, descobertas e, acima de tudo, esperança. Como um jovem LGBTQIA+ na época, acompanhar personagens vivendo seus sentimentos de forma tão natural me ajudou a enxergar minha própria realidade sob uma perspectiva mais positiva.
Talvez seja esse o principal motivo de Make It Right continuar ocupando um lugar tão especial na minha memória.

Personagens que marcaram uma geração
Parte desse carinho também vem dos personagens. Fuse, Tee, Frame, Book, Rodtang, Yok, Lukmo, Nine e tantos outros ajudaram a construir uma atmosfera que definiu uma geração de fãs de BL.
O que mais me conquistava era a dinâmica entre os casais, as amizades e até os conflitos. A ambientação escolar combinava romance, ciúmes, inseguranças e descobertas de uma forma que parecia muito natural.
Por serem adolescentes, os personagens nem sempre tomavam as melhores decisões. Agiam por impulso, cometiam erros e deixavam as emoções falarem mais alto. Isso fazia parte da proposta da série.

Ao revisitar a obra hoje, porém, é inevitável perceber que algumas falas, comportamentos e dinâmicas são vistos de maneira diferente pelo público atual. Não apenas em Make It Right, mas em diversos BLs daquela época. E isso faz parte da evolução natural do gênero.
Outro elemento que permanece vivo na memória é a trilha sonora. Existem músicas capazes de transportar o espectador imediatamente para um momento específico da vida, e a OST de Make It Right tem exatamente esse efeito sobre mim.
Crescer junto com os atores
Uma das partes mais emocionantes desse anúncio é perceber quanto tempo passou…
Peak Peemapol, intérprete de Fuse, e Ohm Pawat, que deu vida a Frame, são apenas dois exemplos de artistas que acompanho há muitos anos. Quando assisti à série, ambos estavam começando suas carreiras. Hoje, cada um construiu sua própria trajetória dentro da indústria do entretenimento tailandês.
Enquanto acompanhava a evolução deles, eu também estava crescendo.
Talvez seja por isso que o remake desperte uma sensação tão diferente. Não parece apenas o retorno de uma série, mas o reencontro com uma fase importante da minha própria vida.


O que mudou em dez anos?
A maior curiosidade em torno dessa nova versão está justamente em descobrir como uma história lançada em 2016 será adaptada para 2026.
O universo dos BLs passou por uma transformação significativa ao longo da última década. Hoje vemos produções mais diversas, personagens LGBTQIA+ construídos com maior profundidade e um cuidado muito maior na abordagem de temas que, anos atrás, eram tratados de outra forma.
Por isso, será interessante observar o que permanecerá fiel à obra original, quais elementos serão atualizados e como essas mudanças dialogarão com o público atual.

Ao mesmo tempo, não acredito que tudo o que é novo seja automaticamente melhor. Parte do charme de um remake está justamente na possibilidade de comparar versões, discutir escolhas criativas e perceber como o gênero evoluiu.
Algumas mudanças provavelmente funcionarão muito bem. Outras talvez dividam opiniões. E isso também faz parte da experiência.
O que realmente espero é que a essência da obra permaneça intacta. A sensação de descoberta, amizade, romance e juventude sempre foi uma das maiores qualidades de Make It Right. E, como fã da versão original, confesso que adoraria encontrar alguns easter eggs espalhados ao longo da nova adaptação.
Ainda vale assistir à série original?
Para quem nunca assistiu a Make It Right, acredito que a resposta seja sim.
Não para decidir qual versão é melhor ou transformar o remake em uma competição com a série original, mas porque a produção representa um capítulo importante da história dos BLs.
Assistir à obra hoje permite compreender como essas histórias eram construídas naquele período, identificar quais elementos permaneceram ao longo dos anos e perceber como o gênero amadureceu.
Também será uma ótima oportunidade para que fãs antigos e novos compartilhem perspectivas diferentes quando o remake finalmente estrear.
Mais do que revisitar uma série, é uma forma de conhecer uma das produções que ajudaram a abrir caminho para um gênero que hoje conquista milhões de espectadores ao redor do mundo.


Um retorno às origens
O anúncio do remake de Make It Right me deixou animado, mas, acima de tudo, nostálgico.
Existe a expectativa de conhecer os novos atores, descobrir as mudanças no roteiro e ver como essa história será recontada para uma nova geração. Mas existe também a felicidade de revisitar uma obra que marcou uma fase tão importante da minha vida.
Talvez seja justamente isso que torne esse remake tão especial.


Ele não representa apenas uma nova versão de uma série que temos um certo apego emocional. É também um convite para revisitar a trajetória dos BLs, reconhecer o quanto o gênero cresceu na última década e lembrar das histórias que ajudaram a construir esse caminho.
Independentemente do que mudar, uma coisa eu já sei: quando assistir ao remake, o sentimento será exatamente o mesmo que tive ao ver o primeiro pôster ser anunciado.
Mais do que revisitar uma série, o remake de Make It Right nos lembra de como os BLs mudaram ao longo da última década — e de como nós também mudamos junto com eles. Talvez esse seja o maior mérito desse retorno: mostrar que algumas histórias permanecem importantes não apenas pelo que contam, mas pelo momento da vida em que nos encontraram.






