Burnout Syndrome​

ANÁLISE: O colapso emocional no episódio 7 de Burnout Syndrome​

Burnout Syndrome é um BL intenso, sensível e cheia de personagens complexos, mas, acima de tudo, extremamente humanos. Já estamos no episódio 7 e a sensação é de que a narrativa não desacelerou em nenhum momento. Pelo contrário, ela segue aprofundando conflitos que vêm sendo construídos desde o início, empurrando cada personagem um pouco mais para o próprio limite. A partir daqui, não existe mais espaço para fingir que está tudo sob controle.

Imagem: GMMTV

Personagens no limite

Os três protagonistas estão em conflito, seja entre si ou consigo mesmos, e isso se torna cada vez mais evidente ao longo do episódio no BL.

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Ko e a dependência emocional

Ko é, sem dúvida, um dos personagens mais complexos da série. Melancólico, difícil e cheio de camadas, ele não sabe se relacionar de forma saudável com as pessoas. Não é que ele não sinta algo por Jira, mas ele ainda não sabe amar de um jeito genuíno e equilibrado. O que se sobressai nessa relação é uma dependência emocional muito clara. Ko precisa da presença de Jira, da rotina e do conforto que ele oferece. Jira acaba se tornando esse ponto de estabilidade que Ko não consegue construir sozinho.

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Um dos momentos mais fortes do episódio acontece quando Ko vai atrás de Jira em sua casa. A série poderia facilmente romantizar essa cena, ainda mais considerando todo o contexto anterior, mas escolhe outro caminho. Jira se impõe, estabelece limites e não cede. Quando Ko se recusa a sair, é o próprio Jira que vai embora. Esse gesto diz muito sobre o personagem. Mesmo com toda a pressão emocional e financeira, ele demonstra que não é alguém fácil de manipular. Ele se respeita.

É justamente depois disso que a dependência de Ko se torna ainda mais evidente. Ao ver Jira ir embora, ele rompe uma barreira pessoal importante. Alguém que sempre evitou interações sociais e multidões acaba se colocando em uma casa noturna um ambiente que ele sempre evitou simplesmente para estar perto de Jira.

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Pheem e a explosão do descontrole

O episódio também deixa claro o quanto Pheem está emocionalmente desestabilizado. A cena da explosão é um dos grandes marcos do capítulo. Ele despeja frustrações, ressentimentos e angústias acumuladas de forma intensa e desconfortável. É ali que vemos um lado do personagem que Jira ainda não conhecia e talvez nem o público.

O mais interessante é observar a reação de Jira diante dessa explosão. Ko já causou dor, frustração e manipulação, mas nunca pareceu provocar medo em Jira. Pela primeira vez, esse medo surge com Pheem. A energia da cena muda completamente. Jira percebe o quanto Pheem é instável e imprevisível, e, diferente das discussões com Ko, aqui ele se sente acuado.

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O simbolismo do corpo e da arte

Ainda dentro desse contexto, a cena em que Jira decide desenhar Pheem chama atenção pelo simbolismo. É depois do caos emocional que Jira se sente inspirado por aquela energia intensa. Quando Pheem começa a se despir, ele não tira toda a roupa. Diferente de Ko, que costuma se expor por completo e se mostrar vulnerável, Pheem se esconde em camadas. Isso sugere que ele ainda não consegue se mostrar inteiro, especialmente para Jira

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Competição, obsessão e a necessidade de ser escolhido

A dinâmica entre Pheem e Ko ajuda a entender esse comportamento. Existe uma competitividade entre eles desde a infância, mas manifestada de formas muito diferentes. Ko compete consigo mesmo, enquanto Pheem vive tentando se provar. Mesmo quando “vence”, ele nunca se sente bom o suficiente.

Essa obsessão acaba se transferindo para Jira. Ser escolhido vira uma necessidade. Pheem tenta induzi-lo a largar Ko, a pedir demissão e a sair dessa situação. Chega até a buscar emprego para assumir financeiramente o lugar que hoje é de Ko. Nesse processo, ele não compreende Jira, sua arte ou suas necessidades. Tudo passa a girar em torno do próprio Pheem.

Jira no centro do colapso em Burnout Syndrome​

No centro de tudo isso está Jira, preso entre a dependência emocional de Ko, a obsessão de Pheem e os próprios dilemas. Ser artista envolve instabilidade, reconhecimento tardio e dificuldades financeiras constantes. Ko oferece segurança, reconhecimento e até inspiração artística algo que Jira nunca teve antes. Não é simples se desligar dessa dinâmica, e isso torna o conflito ainda mais humano.

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No fim das contas, o que mais impressiona em Burnout Syndrome é que ninguém é totalmente inocente. Todos erram, todos machucam e todos carregam feridas abertas. O episódio 7 reforça essa complexidade ao transformar conflitos emocionais em algo real, desconfortável e palpável, sustentando uma narrativa envolvente e personagens profundamente humanos.

E você? Qual cena desse episódio mais te marcou?

Guilherme Machado

Criador de conteúdo focado em filmes, séries e manhwas, com análises, indicações e opiniões sobre obras da comunidade LGBTQIA+, com foco em BL (Boys Love). Compartilho ideias, percepções e sentimentos através dos meus conteúdos.