Ta Khon: The Cursed Mask vai além do terror ao explorar cultura e ancestralidade

Assistir a Ta Khon: The Cursed Mask foi uma grata surpresa, principalmente porque o filme conseguiu entregar muito mais do que eu esperava encontrar em uma produção de terror. Tenho algumas limitações quanto ao gênero, mas, nos últimos anos, comecei a me dar a oportunidade de conhecer filmes de terror e suspense com propostas diferentes. …

Ta Khon: The Cursed Mask vai além do terror ao explorar cultura e ancestralidade

Assistir a Ta Khon: The Cursed Mask foi uma grata surpresa, principalmente porque o filme conseguiu entregar muito mais do que eu esperava encontrar em uma produção de terror. Tenho algumas limitações quanto ao gênero, mas, nos últimos anos, comecei a me dar a oportunidade de conhecer filmes de terror e suspense com propostas diferentes. …

Assistir a Ta Khon: The Cursed Mask foi uma grata surpresa, principalmente porque o filme conseguiu entregar muito mais do que eu esperava encontrar em uma produção de terror. Tenho algumas limitações quanto ao gênero, mas, nos últimos anos, comecei a me dar a oportunidade de conhecer filmes de terror e suspense com propostas diferentes.

Aos poucos, fui entendendo melhor as emoções que esse tipo de história provoca e como o suspense consegue nos envolver justamente pelo medo, pelo desconhecido e pela curiosidade. E foi exatamente isso que encontrei aqui.

Sair um pouco da bolha do BL

Para nós, fãs brasileiros de séries Boys Love, existe algo muito interessante em acompanhar os artistas para além das produções que nos fizeram conhecê-los. Gostar de um artista também significa acompanhar seu trabalho como um todo e entender que ele pode explorar histórias e personagens completamente diferentes.

Às vezes, uma produção fora do BL acaba abrindo portas para descobrirmos outros trabalhos e enxergarmos aquele artista de uma maneira que ainda não conhecíamos. Foi exatamente o que aconteceu comigo durante o Thai Film Festival, em São Paulo.

Ter a oportunidade de assistir a um filme de terror protagonizado por Mos, um artista que já acompanho dentro do cenário BL, foi muito especial. E não apenas por ele. Bank também participa do filme, assim como Frank, trazendo aquela sensação de prestigiar artistas que já fazem parte do nosso universo, mas agora inseridos em uma proposta completamente diferente.

Essa é uma das coisas mais interessantes de acompanhar um artista para além do gênero em que estamos acostumados a vê-lo. Saímos um pouco da nossa bolha, sem precisar abandoná-la, e começamos a descobrir outras possibilidades.

Um lado da Tailândia que eu ainda não conhecia

Além dos artistas, o próprio ambiente apresentado pelo filme despertou muito a minha curiosidade. A história nos leva para o Nordeste da Tailândia, uma região que não estou tão acostumado a ver representada nas produções Boys Love que acompanho. Isso ganhou ainda mais significado ao saber que tanto o diretor quanto Mos vêm dessa região na vida real.

Assistir ao filme também se tornou uma maneira de conhecer um pouco mais sobre suas origens. A produção apresenta o ambiente, o cotidiano, as vivências, o contato com a natureza e elementos culturais que normalmente não aparecem tanto para quem acompanha a Tailândia por meio de um nicho específico.

É justamente nesse ponto que o terror ganha uma camada que me interessou muito. O filme não trabalha apenas com o medo, mas também apresenta ancestralidade, crenças e uma relação muito forte com a cultura daquele local. O desconhecido não está ali somente para assustar. Ele também desperta curiosidade e ajuda a contar uma história.

Uma família marcada pelo passado

A trama gira em torno de uma família e das tragédias que acontecem ao seu redor. Aos poucos, começamos a entender as escolhas feitas por alguns personagens, a relação deles com o passado e a ligação direta com seus ancestrais.

Um dos aspectos mais interessantes é descobrir por que os ancestrais estão revoltados com aquela família e perceber que determinadas consequências não surgiram simplesmente do nada. Existem ações realizadas ao longo dos anos que acabam cobrando seu preço, enquanto aquela família passa a ser vista pelas pessoas ao redor como se fosse amaldiçoada.

Isso torna a história ainda mais trágica, porque não estamos apenas acompanhando cenas de terror acontecendo sem contexto. Existe um passado, existem escolhas e, principalmente, existem consequências. É nesse ponto que o suspense funciona muito bem, porque queremos descobrir tanto o que aconteceu com aquela família quanto o que realmente está por trás das tragédias.

O suspense consegue nos prender

O filme consegue nos deixar imersos na história. O primeiro e o segundo ato têm uma fluidez muito boa justamente porque os acontecimentos vão se complementando. Conhecemos os personagens ao mesmo tempo em que descobrimos mais sobre o passado e começamos a perceber como tudo está conectado.

Enquanto assistia, queria entender o que estava acontecendo assim como o próprio protagonista. Essa curiosidade faz com que continuemos acompanhando não apenas para descobrir o que vai acontecer, mas principalmente para compreender por que tudo aquilo está acontecendo.

Mos mostra um outro lado

Foi aqui que tive uma das maiores surpresas do filme. Fiquei muito impressionado com a atuação de Mos Panuwat.

Não porque duvidasse de sua capacidade como ator, mas porque, para quem está acostumado a vê-lo no gênero Boys Love e não acompanhou tantos outros projetos de sua carreira, Ta Khon oferece a oportunidade de descobrir uma faceta diferente do artista.

Aqui, Mos está inserido em um gênero completamente diferente daquele em que eu estava acostumado a acompanhá-lo, e sua condução do personagem é bastante convincente. O medo aparece quando precisa aparecer, mas também existe muita revolta diante de tudo o que está acontecendo.

Seu personagem está preocupado com a irmã mais nova, frustrado e mentalmente cansado pelas tragédias que atingiram sua família. Aos poucos, esse cansaço e esse desespero crescem, e acompanhar essa evolução é um dos pontos mais interessantes de sua atuação.

Em determinado momento, ele começa a questionar aquilo em que acreditava. Será que tudo realmente está relacionado aos ancestrais? Será que a família está, de fato, amaldiçoada? E como seria descobrir que acontecimentos presentes durante praticamente toda a sua vida poderiam ter sido provocados ou manipulados por alguém?

Essa dúvida também chega a quem está assistindo. Começamos a questionar junto com ele.

Quando o humor ajuda o terror

Outro acerto é a maneira como o diretor trabalha alguns momentos de alívio cômico sem destruir a atmosfera construída pelo filme. Os personagens são carismáticos dentro do que a história permite, e existem momentos pontuais em que o humor aparece sem diminuir o peso do terror.

Pelo contrário, essas pequenas pausas ajudam a criar uma conexão maior com alguns personagens. Quando o terror retorna, já estamos mais envolvidos emocionalmente e queremos que eles consigam superar o que está acontecendo e descobrir os mistérios por trás daquela história.

É um equilíbrio bastante estratégico. O humor não apaga o terror, enquanto o terror também não impede que o filme encontre espaço para respirar em momentos mais leves.

Uma cena que me marcou

Existe uma cena específica que não quero entregar para quem ainda não assistiu, mas que me deixou muito triste e, ao mesmo tempo, ainda mais impressionado com a performance de Mos.

Depois de uma tragédia envolvendo uma das pessoas da família, há um momento em que o personagem consome algo que havia recebido dessa pessoa em vida e que, até então, não tinha valorizado. Quem já assistiu ao filme provavelmente sabe exatamente de qual cena estou falando.

É uma sequência muito pesada porque carrega aquela sensação de que, às vezes, só percebemos o verdadeiro valor de algumas coisas depois que as perdemos. Mos consegue transmitir esse peso de maneira muito forte, principalmente quando seu personagem entra em crise e começa a chorar.

É uma cena que exige bastante dele como ator e reforça justamente sua capacidade de sair daquele lugar em que eu já estava acostumado a vê-lo para entregar algo completamente diferente.

As escolhas realmente têm consequências

Também funciona muito bem a relação do protagonista com a irmã mais nova, sua amizade e a participação da jornalista, que desempenha uma função importante no desenvolvimento da trama.

As performances, no geral, são convincentes, e até mesmo as lutas corporais, quando necessárias, foram bem realizadas. Em alguns momentos, elas realmente passam a sensação de estarmos acompanhando confrontos físicos de verdade.

Mas o que mais me ganhou foi a coragem do filme em seu terceiro ato. Sem estragar a experiência de quem ainda pretende assistir, posso dizer que o plot twist funcionou muito bem para mim.

A reviravolta também traz escolhas de direção interessantes justamente porque o filme se permite arriscar. Ele não fica preso a um clichê ou em cima do muro apenas para tentar agradar a todos. As ações dos personagens têm consequências, e as decisões tomadas ao longo da história realmente levam a algum lugar.

Isso fortalece a experiência porque dá peso aos acontecimentos. Nada parece estar ali simplesmente para preencher uma cena.

Uma experiência que foi além do filme

Por tudo isso, Ta Khon: The Cursed Mask acabou sendo muito mais do que um filme de terror para mim. Foi uma oportunidade de conhecer um pouco mais da cultura da Tailândia, especialmente do Nordeste do país, entender melhor alguns elementos de ancestralidade e também descobrir novas possibilidades dentro do trabalho de artistas que eu já acompanhava.

Assistir ao filme dentro do Thai Film Festival tornou tudo ainda mais especial. Ter Mos, Bank e o diretor presentes, participar de uma première e acompanhar o tapete vermelho, a recepção dos convidados, a exibição e, posteriormente, um Q&A exclusivo com o diretor e os protagonistas transformou a sessão em uma experiência muito gratificante.

Também foi muito bonita a iniciativa de trazer essa produção para o Brasil e permitir que o público tivesse contato não apenas com os artistas, mas com uma história que apresenta uma parte diferente da Tailândia.

Costumamos dizer que a Tailândia é o Brasil da Ásia, e acredito que existem muitas semelhanças entre as duas culturas, principalmente quando pensamos na importância de histórias, lendas e tradições transmitidas entre gerações.

Vale a pena dar uma chance

No fim das contas, gostei muito de Ta Khon: The Cursed Mask. Foi uma grata surpresa para alguém que não costuma ser tão fã de terror e, principalmente, uma experiência que me fez perceber como uma produção pode nos apresentar muito mais do que simplesmente o gênero ao qual pertence.

Para quem ainda não deu uma chance ao filme, fica o convite: assistam, reflitam sobre a história e se permitam conhecer essa produção. Também acredito ser importante que nós, como fãs, prestigiemos os projetos desses artistas para além das séries Boys Love.

Acompanhar Mos, Bank, Frank e tantos outros artistas em projetos diferentes é uma oportunidade de conhecer melhor seus trabalhos, descobrir novas histórias e ampliar aquilo de que já gostamos. Prestigiá-los em outros projetos também contribui para que esses profissionais possam explorar diferentes gêneros, personagens e possibilidades ao longo de suas carreiras.

Ir além das telas

Talvez seja justamente por tudo o que esse festival e esse filme despertaram em mim que comecei a pensar em como podemos ir além de simplesmente consumir essas histórias. Quando nos interessamos pela cultura, pelas tradições e pelos artistas, também surge a curiosidade de entender melhor o país que existe por trás daquilo que vemos nas telas.

E existem iniciativas que ajudam a criar essa aproximação entre Brasil e Tailândia. Um exemplo é o Papo de Primos, projeto da Escola D.A., criada pelas professoras de tailandês Kru Aline e Kru Amm. A iniciativa compartilha gratuitamente conteúdos sobre cultura, curiosidades, notícias, vocabulário e outros temas relacionados à Tailândia, ampliando esse contato para além das produções audiovisuais.

Para quem chegou até aqui depois de assistir a Ta Khon: The Cursed Mask ou acompanhou o Thai Film Festival, essa conexão faz ainda mais sentido. Começamos assistindo a uma história e, através dela, conhecemos uma parte diferente da Tailândia, seus costumes, suas crenças e sua ancestralidade.

No fim, talvez seja justamente isso que experiências como essa podem proporcionar: despertar a curiosidade para ir além do que aparece na tela e conhecer um pouco mais sobre a cultura por trás das histórias que tanto nos encantam.

Guilherme Machado

Guilherme Machado

Criador de conteúdo focado em filmes, séries e manhwas, com análises, indicações e opiniões sobre obras da comunidade LGBTQIA+, com foco em BL (Boys Love). Compartilho ideias, percepções e sentimentos através dos meus conteúdos.
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