Produções LGBTQIAP+ brasileiras vêm conquistando cada vez mais espaço e mostrando que também existem muitas histórias para serem descobertas por aqui. Entre elas está Uma Leitura de Nós, série independente da MSV Produções que acompanha amizade, romance e descobertas através de personagens que vivem suas sexualidades sem que isso seja a única característica que os …
Por que vale a pena conhecer Uma Leitura de Nós?

Por que vale a pena conhecer Uma Leitura de Nós?
Produções LGBTQIAP+ brasileiras vêm conquistando cada vez mais espaço e mostrando que também existem muitas histórias para serem descobertas por aqui. Entre elas está Uma Leitura de Nós, série independente da MSV Produções que acompanha amizade, romance e descobertas através de personagens que vivem suas sexualidades sem que isso seja a única característica que os …

Produções LGBTQIAP+ brasileiras vêm conquistando cada vez mais espaço e mostrando que também existem muitas histórias para serem descobertas por aqui. Entre elas está Uma Leitura de Nós, série independente da MSV Produções que acompanha amizade, romance e descobertas através de personagens que vivem suas sexualidades sem que isso seja a única característica que os define.
Já acompanhei muitas histórias LGBTQIA+ ao longo da minha vida e sempre tive uma conexão muito forte com produções que conseguem levar essas vivências para a tela de forma natural. Como homem gay, muitas dessas histórias fizeram parte da minha própria formação e me ajudaram a enxergar sentimentos, experiências e até partes de mim que, em determinados momentos, eu ainda estava tentando entender.

Foi muito gostoso encontrar um pouco disso em Uma Leitura de Nós. Assisti aos episódios disponíveis e tive uma experiência muito positiva, principalmente por encontrar uma série leve, divertida, fácil de acompanhar e capaz de criar momentos de identificação de forma espontânea.
Mas o principal é que a história e os personagens realmente funcionaram para mim. Não estou indicando a série simplesmente por ser uma produção LGBTQIA+ brasileira e independente, embora também considere importante apoiar projetos assim. Uma indicação precisa funcionar primeiro pelo que a própria história entrega e, nesse caso, funcionou.
Tudo começa com uma amizade e um término
A história acompanha Kawe e Henrique, dois grandes amigos que já possuem uma relação muito próxima quando conhecemos os personagens. Henrique acabou de sair de um relacionamento com Jorge e está naquele momento confuso depois de um término, tentando entender o que aconteceu, o que ainda sente e como seguir em frente.
É aí que entra Kawe. Ele é aquele amigo que quer ajudar de qualquer jeito e acaba criando um plano mirabolante para fazer Henrique superar tudo aquilo. O problema é que, enquanto tenta cuidar do amigo, alguma coisa começa a mudar dentro dele também. Kawe passa a enxergar Henrique de outra maneira e percebe sentimentos que aparentemente nunca tinha considerado.

É interessante acompanhar essa mudança justamente porque Kawe não começa a história entendendo perfeitamente o que está acontecendo. Existe uma descoberta. Ele já gostava de Henrique, queria estar perto e se preocupava com ele, mas esse carinho começa a ocupar outro lugar. A amizade continua existindo, só que agora ele precisa entender o que fazer com algo que nasceu dentro de uma relação que já era importante para ele.
Henrique também percebe que alguma coisa está diferente. A série coloca os dois em um lugar interessante, no qual um tenta compreender o que sente enquanto o outro observa essa mudança acontecer. É justamente essa dinâmica que desperta a curiosidade para descobrir até onde essa relação pode chegar.
Kawe, Henrique e Milli fazem essa história funcionar
Uma das coisas que mais gostei foi a dinâmica entre Kawe, Henrique e Milli. Os três têm personalidades muito diferentes, mas existe uma sintonia entre eles que faz aquela amizade funcionar muito bem.
Kawe é definitivamente o mais caótico. Ele faz piada, fala besteira, cria situações e tem uma energia muito própria. Henrique é mais tranquilo, mas está com a cabeça cheia por tudo o que aconteceu em seu relacionamento com Jorge. Ele vive aquele momento de indecisão depois de um término, entre seguir em frente ou olhar novamente para o passado, ao mesmo tempo em que começa a perceber que o próprio Kawe está agindo diferente.
Henrique não está apenas esperando as coisas acontecerem. Ele observa, questiona e também tenta entender o que está mudando naquela amizade.

Milli, por sua vez, tem uma personalidade mais sarcástica e aparece com comentários certeiros que equilibram muito bem os outros dois. Em vários momentos, tive a sensação de estar participando da conversa deles. Não parecia simplesmente que o roteiro estava dizendo que aqueles três personagens eram amigos. A amizade aparecia naturalmente na maneira como conversavam, brincavam e reagiam uns aos outros.
Também é válido olhar para Kawe para além do romance. Antes mesmo de compreender os sentimentos que começa a desenvolver por Henrique, ele já demonstra ser alguém muito presente na vida dos amigos. O plano que cria pode ser bastante questionável em alguns momentos, principalmente porque Henrique não necessariamente pediu por aquilo, mas sua intenção parte desse desejo de cuidar. É um detalhe importante para entendermos quem ele é.
A química transforma a amizade aos poucos
Quando a relação entre Henrique e Kawe começa a ganhar outra camada, a série fica ainda mais interessante. A química entre os protagonistas funciona principalmente pela naturalidade dos dois quando estão juntos. Não se trata apenas de chegar ao romance, mas de acompanhar como uma amizade começa a mudar conforme novos sentimentos aparecem.
Kawe está descobrindo uma parte de si que ainda não compreendia completamente. Henrique, por outro lado, acabou de sair de um relacionamento e começa a perceber que o melhor amigo está agindo diferente. Algumas de suas conversas com Milli sobre Kawe funcionam justamente por mostrarem essa dúvida sobre o que realmente está acontecendo com ele.

Conforme os dois se aproximam, cresce também a vontade de descobrir quando Kawe finalmente compreenderá o que está sentindo, como Henrique reagirá e o que essa descoberta significará para uma amizade que existia muito antes de qualquer possibilidade romântica.
As atuações ajudam bastante nesse processo. Os protagonistas sustentam bem as personalidades dos personagens e fazem essa aproximação funcionar sem perder a sensação de que, antes de qualquer coisa, estamos acompanhando dois amigos.
Tem alguma coisa muito familiar nessa história
Uma sensação que ficou muito forte enquanto assistia foi a de identificação, e não consigo separá-la completamente do fato de estar vendo uma produção brasileira contando uma história LGBTQIA+.
Não é simplesmente porque os personagens falam português. São os ambientes, a maneira de conversar, algumas expressões, os trejeitos e pequenas situações que parecem próximas daquilo que conheço. Em determinados momentos, o ambiente escolar me lembrava lugares pelos quais eu mesmo já passei, enquanto algumas conversas pareciam situações que poderia ter vivido ou presenciado.

Foi daí que surgiu aquela sensação de “estou em casa”. Não porque minha experiência seja igual à dos personagens, mas porque existe uma familiaridade naquele universo. Consigo reconhecer coisas nele, e isso gera um tipo de pertencimento muito particular.
Talvez por isso tenha ficado tão imerso até na simplicidade de algumas cenas. Histórias de diferentes lugares do mundo também conseguem provocar identificação, obviamente, mas aqui senti uma proximidade muito imediata com a maneira como aquele cotidiano foi colocado na tela. Mesmo nos momentos mais leves e aparentemente comuns, havia algo familiar que me fazia sentir parte daquele universo.
Terminei querendo conhecer ainda mais esses personagens
Uma das melhores maneiras de explicar minha experiência com a série é simples: terminei querendo mais.
Os episódios têm um ritmo agradável e geralmente terminam apresentando alguma situação que desperta a vontade de continuar. Para uma história como essa, o formato funciona bem justamente porque a narrativa não fica dando voltas demais antes de avançar.
Ao mesmo tempo, por ter gostado dos personagens, fiquei curioso para conhecer ainda mais aquele universo. Gostaria de ver mais do cotidiano escolar, das aulas, das famílias, das casas de Kawe e Milli e de quem esses personagens são quando saem do núcleo principal.

Não digo isso necessariamente como uma crítica. É quase o contrário. Gostei tanto de acompanhar esses personagens que queria ter mais tempo e outros espaços para conhecê-los.
Também estamos falando de uma produção brasileira independente, portanto existem naturalmente condições de produção diferentes daquelas encontradas em projetos de maior escala. Mais importante do que fazer essa comparação é perceber o que a série consegue realizar dentro da proposta que escolheu. E, nesse sentido, conseguiu me manter interessado principalmente pelos personagens, pelo roteiro, pela química e pela proximidade que senti com a história.
Uma cena simples que disse muita coisa
Uma cena específica também ficou comigo. Em determinado momento, Kawe conversa com uma mulher que consegue perceber parte daquilo que ele próprio ainda está tentando compreender sobre seus sentimentos.
Existe muita sensibilidade nessa conversa porque ela toca em algo bastante humano: às vezes estamos vivendo uma situação que parece óbvia para quem olha de fora, mas que ainda está completamente confusa dentro da nossa cabeça. Naquele momento, alguém que nem fazia parte do círculo mais próximo de Kawe consegue oferecer acolhimento, ajudá-lo a se enxergar e trazer um pouco de coragem.
A cena não precisa fazer muito para funcionar. É justamente pela simplicidade que acabou se tornando um dos momentos que mais me marcaram até aqui.

Uma produção brasileira que merece ser conhecida
No fim, minha experiência com Uma Leitura de Nós foi muito positiva. É uma história leve e divertida, com romance, amizade, descobertas e personagens que me conquistaram rapidamente. A química entre Kawe e Henrique funciona, a presença de Milli acrescenta muito à dinâmica e o ritmo torna tudo fácil de acompanhar.
Mas também gosto de olhar para o projeto dentro de algo maior. Estamos falando de uma produção independente brasileira que coloca personagens LGBTQIA+ no centro da própria história e cria mais um espaço para que essas vivências sejam contadas por aqui. É muito bom poder conhecer, acompanhar e falar sobre projetos brasileiros que estão fazendo isso.

Apoiar, para mim, não significa deixar de ter opinião sobre aquilo que estou assistindo. Significa dar espaço para conhecer essas histórias, conversar sobre elas e permitir que mais pessoas descubram que elas existem. Nesse caso, além de querer apoiar o projeto, eu genuinamente gostei do que assisti.
Onde assistir e conhecer outras produções
Uma Leitura de Nós faz parte do catálogo da MSV Produções. Alguns episódios estão disponíveis gratuitamente no canal Meu Sobrenome é Vida, no YouTube, então é possível conhecer a história por lá.
A produtora também possui uma plataforma própria, que reúne outras produções originais, entre séries, curtas-metragens e animações, além de disponibilizar antecipadamente novos episódios para assinantes VIP.
Para quem se interessar em apoiar e conhecer outras produções brasileiras disponíveis na plataforma, o cupom GUINBL oferece 15% de desconto na assinatura VIP.
Para mim, vale principalmente começar pela história. Conhecer Kawe, Henrique e Milli, entrar um pouco naquele universo e descobrir se essa sensação de proximidade que funcionou tanto comigo também funciona com você.






