Burnout Syndrome, dirigido por Anucha Boonyawatana, conhecida por trabalhos marcantes como Not Me, marca o retorno de Off Jumpol e Gun Atthaphan às telas com um roteiro mais complexo e envolvente, bem diferente dos projetos que ambos fizeram nos últimos anos.
Esse retorno é visto de forma extremamente positiva entre os fãs do casal OffGun, que há tempos pediam um trabalho à altura do talento e da maturidade artística dos atores.

Enredo complexo
O roteiro aborda diversos temas ao longo da série. Jira (Gun Atthaphan) é um artista independente que enfrenta questões ligadas ao burnout e às frustrações dentro do mercado de trabalho. Ele conhece Pheen (Dew Jirawat), um programador que também vive conflitos profissionais e busca formas de refúgio. Os dois se encontram em um bar e rapidamente surge uma atração entre eles.
A vida de Jira muda quando ele conhece Ko (Off Jumpol), um programador renomado no meio digital e referência na criação de inteligência artificial. Ko oferece a Jira uma oportunidade de emprego com pagamentos acima da média, algo que poderia transformar completamente sua vida. É nesse ponto que os três se entrelaçam, colocando Jira diante de um dilema entre um chefe autoritário e controlador e um ficante carinhoso e atencioso.
A série está longe de ser apenas um romance simples.

Complexidade psicológica dos personagens
Jira é apresentado como alguém atraído por relações instáveis, um traço que se manifesta desde os primeiros episódios. Sua aproximação com Ko desperta não apenas desejo, mas também um impulso criativo que há muito estava adormecido. No entanto, seu maior conflito reside na tentativa de se afirmar como artista em um ambiente que constantemente invalida sua sensibilidade e seu trabalho.
Pheen tem sua trajetória marcada pela dependência emocional. Sua relação com Ko, amigo de infância e chefe, é construída a partir da submissão e da necessidade de aprovação. Mesmo diante de atitudes claramente abusivas, ele permanece preso a esse vínculo. Quando Jira entra em sua vida, essa dependência apenas muda de foco, revelando um padrão que o personagem parece incapaz de romper.
Ko, por sua vez, é definido por traumas do passado, medo da instabilidade e extrema dificuldade em confiar. Sua relação com o mundo passa pela lógica, pelo controle e pelo distanciamento emocional. A solidão, o uso frequente de álcool e medicamentos para dormir, além da insônia constante, reforçam um cotidiano marcado pela desconexão afetiva.

Uma obra que precisa ser apreciada, não apenas assistida
A série entrega múltiplas camadas sobre seus personagens sem se perder na narrativa. Não existe um vilão claro: todos erram. A sequência de acontecimentos não apresenta furos e convida o telespectador a refletir constantemente sobre o que está sendo mostrado. Cada diálogo é milimetricamente calculado, e até os silêncios dentro dos monólogos são expressivos.
Os diálogos fluem de forma natural, quase improvisados. Tudo isso insere o telespectador na narrativa de maneira viva e imersiva.
Pequenos detalhes dizem muito, e manter-se atento a eles é essencial para uma melhor interpretação. As pinturas que Jira faz para Ko, por exemplo, revelam muito sobre ambos: sobre a leitura artística de Jira, seus sentimentos e percepções, e sobre Ko, sentimentos que ele não conseguia enxergar nem em si mesmo, muito menos no outro.
No caso de Ko, seus comportamentos e até suas vestimentas funcionam como sinais sobre como ele se sente. Esse é um dos elementos que ajudam a compreender aquele que talvez seja o personagem mais fechado da série, mas que, ao olhar com atenção, mostra não ser tão recluso quanto parece.

Cenografia detalhada
As cores, os detalhes e os simbolismos da série são encaixados de forma estratégica, intensificando ainda mais as emoções. Em alguns momentos, a fotografia conduz o telespectador a perceber certos elementos e refletir sobre eles. Em outros, os próprios personagens explicam esses simbolismos. Há também situações em que tudo depende exclusivamente da atenção de quem assiste. De qualquer forma, nada em cena é gratuito.

Atuação impecável com elenco de peso
Uma obra como essa era aguardada pelos fãs de OffGun desde o encerramento de Not Me. Não que os trabalhos seguintes tenham sido ruins, mas, considerando a bagagem artística de ambos, roteiros mais densos e intensos evidenciam ainda mais o nível de atuação dos dois, e Burnout Syndrome prova isso com excelência.
Ambos demonstram entrega e sensibilidade em seus personagens, deixando claro que foram escolhas perfeitas para esses papéis.
É impossível não destacar também Dew, que em cada diálogo transmite os sentimentos de Pheen de forma intensa e crua. A sinceridade com que o ator se conecta ao personagem dá ainda mais peso às angústias e frustrações vividas por ele.

Na lista das melhores produções da indústria
Sem dúvidas, a série entra para a lista das produções mais bem construídas e complexas da GMMTV e também para o topo da carreira de Off e Gun. Não entrega apenas um romance superficial, mas uma sequência de reflexões que transitam entre a arte clássica e a modernidade da inteligência artificial.
Não é uma série para assistir de forma desatenta. Ela exige envolvimento, atenção aos detalhes, conexão com os personagens e abertura para compreender as mensagens que propõe.

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